domingo, 17 de maio de 2015

Ando Lendo: O Nome do Vento - Patrick Rothfuss


Quando peguei o livro para ler achei que seria mais um dos vários livros de cavalaria que existem por aí. Apesar de ser meu estilo literário favorito eu já não estava mais tão atraída a comprar livros cuja a frente trazia um rapaz de costas com capa e cabelos ao vento (por mais que nesse caso combinasse irrefutavelmente com o título e a ilustração seja de fato muito bonita). E para completar, adivinhe só! Uma trilogia!

Vamos ser sinceros aqui, as livrarias encontraram na fantasia medieval uma gama muito grande de títulos, mas muito pequena em variedade de histórias. Escavando por entre todas essas prateleiras você encontra sim, títulos muito bons (como é o caso, já vamos chegar lá), mas a minha ideia era ficar um tempo sem, para que ao voltar pros meus contos cavaleirescos eu estivesse com a mente limpa, sem me preocupar se aquilo fosse clichê ou não.

Mas a vida, a vida sempre me surpreende.

Estava eu arrumando os títulos que eu poderia colocar no desafio literário de 2015, e já havia passado os olhos no item sobre um amigo recomendar um livro, e não é que o brow Luciano me sugere esse O Nome do Vento?! Com subtítulo da trilogia iniciado por 'A crônica do...' e tudo?!

Mas, amigos... “Missão dada é missão cumprida.” (Nascimento, C. - 2007). Li o livro.

Kvothe, nome que ainda não sei como se pronuncia, parece ser alguém cujas lendas se espalharam pelas terras, com vários títulos de glória seguindo seu nome e uma reputação que ultrapassa fronteiras. Porém, no momento, é dono e proprietário de uma pequena taberna, e fica trabalhando por lá... Sossegadão.

Durante mais uma noite corriqueira um dos clientes aparece contando como foi atacado por uma espécie de aranha gigante, a chama de demônio, entra em desespero, e sorrateiramente Kvothe sai para ver do que se trata aquele ataque pouco habitual na estrada. O grosso do livro mesmo começa porque nessa situação o nosso personagem principal encontra um cronista que, reconhecendo o moço de cabelos vermelhos, pede para que possa ser escritor de suas histórias.

De volta a taberna, depois de acertar todos os detalhes, Kvothe relata para o cronista e Bart (uma espécie de discípulo do taberneiro que fica morando lá também) todo o seu passado.

Nessa primeira fase da trilogia a gente conhece a infância e adolescência de Kvothe. Não vou me estender a detalhes nessa primeira parte da resenha, para não dar spoilers pros desavisados que estiverem a ler. Como resumo posso apenas colocar que ele vai contar sobre sua vida como participante de uma trupe itinerante, sua vida nas ruas de uma cidade gigantesca, e como conseguiu entrar em uma universidade de arcanistas e porque resolveu entrar nela em primeiro lugar.

E nessa brincadeira vai ter romance, brigas, animais monstruosos, livros e magia...

Agora vamos para a parte que a tia Bë começa a julgar todo mundo para o pessoal que já leu?!

-=-=-=-=-=-=-=-=-=- Sessão Spoiler para quem já leu o livro -=-=-=-=-=-=-=-=-=-

Quero aqui jogar opiniões soltas, como uma rodinha entre amigos. ~.o

Primeiro, quando eu consigo entender como é que fala os nomes acho eles muito maneiros. Meus favoritos são o nome da trupe, Edena Ruh, e o nome de um dos mestres da universidade, Elxa Dal.

Gostei bastante de como ele criou uma religião para a ambientação. Apesar de ser muito semelhante ao cristianismo ainda é algo diferente dos que conhecemos e está bem explicadinho, e não aparece de forma tão forçada assim. Os personagens comentam conforme comentariam na vida normalmente, não começam a falar do nada só pra mostrar que o autor do livro criou. Assim como o calendário próprio. Se as pessoas precisam marcar alguma data, elas falam, caso contrário, não saem apontando o calendário em onzenas just for fun.

Kvothe quando fala de Denna baba. A musa do ruivo me deixa um tanto nervosa. Virei #teamFeila por desdem mesmo. Se fazer um levantamento estatístico sobre as personagens bonitas que acho em filmes, animes e livros Denna era para ser meu amor platônico. Cabelos longos negros, uma voz linda de morrer, vestimentas sempre belas... Mas o mistério excessivo, os flertes a rodo e todo esse melodrama cheio de gracejos, como diria a galerê aqui do interior, me 'enjuria'.

Não tô criticando ela na história, suas atitudes são explicadas, fazem sentido para o que ela representa. Só não gosto dela como pessoa mesmo. Como típica mocinha da história ela é perfeita, mas nunca gostei das mocinhas. XD

Ouvi falar que Audi, a garota que mora escondido no subterrâneo, se torna alguém importante nos livros que se seguem. Por hora não posso dizer nada além que tenho esperança em outro romance, se não for ela, Feila, Bart, Mestre Lorren, qualquer um... Menos Denna.

Também tenho esperança em personagens que nem sei se voltarão, como a moça agiota, ou o dono do estaleiro onde mora durante a universidade. Nesses casos não como romance, mas como meios para que a história dê mais explicações de outros dos diversos títulos que ele tem (como matador do rei. xD).

No livro é comentado que os olhos verdes de Kvothe mudam de cor. Inicialmente pensei que seriam como os da minha irmãzinha, que as vezes fica muito verde (principalmente quando ela se torra no Sol, em contraste com sua pele de pimentão) até o amarelado (quando a parte do centro fica mais evidente); mas aí a moça me vem e diz que é culpa do estado de espírito do rapaz. Fiquei bolada. A da Lara só muda no contraste da luz mesmo. =/

Gostei da universidade ter um mestre especialista em cada tipo de estudos, apesar de não ter entendido muito bem se isso significa que ha apenas eles como professores. Pelo que entendi é isso mesmo, o que me fez comparar com escolas normais e ter pena. Pra dar conta de tantos alunos as salas devem ser gigantes, e deve ser um puta grande trabalho na hora da correção de tarefas.

A cena onde Kvothe tenta chamar o nome do vento (e dá ruim) foi interessante. Não só para explicar como seus estudos com seu primeiro mestre fora da universidade teve a velocidade reduzida, mas também para mostrar que mexer com poderes muito grandes podem ser igualmente perigoso, incluindo para quem está na posição de comando.

Curioso como, mesmo aparentemente louco, o mestre responsável pela arte de conhecer os nomes sabe dos perigos e, de formas pouco convencionais, não deixa seu aluno entusiasta se envolver com essas coisas tão facilmente. Também achei legal saber que não é só o vento que tem nome, e que cada coisa tem sua 'personalidade'. Tô ansiosa para ver as possibilidades de interação da magia com outros componentes mais pra frente.

Mesmo mostrando que existem magias e seres fantásticos, o livro apresenta isso como uma ciência. São experiências para se alcançar as melhores poções e simpatias, são aulas sobre os materiais e métodos, as pesquisas sobre os animais são feitas como estudamos, sei lá, elefantes. Isso deixou o universo do livro mais natural.

Na primeira etapa do livro temos uma infância bastante feliz de Kvothe. Seus amigos da trupe, seus pais amorosos, viajantes corriqueiros que o faziam crescer como pessoa. Na segunda etapa a infância completamente oposta na cidade grande. A fome, brigas, um ambiente que não só impede de crescer como diminui aquilo que ele já era.

Estou lendo no momento David Copperfield do Charles Dickens, e senti de novo esse choque do início feliz, seguido de uma derrota contrastante. Mas isso já é spoiler para outra resenha. Como disse que seria uma conversa entre amigos... Divaguei.

O contraste entre as duas infâncias é bem grande, e a mudança de cenário também, mas é o que transforma Kvothe na personalidade equilibrada para a terceira etapa, a etapa nem de extrema felicidade, nem de extrema tristeza, que foi a da universidade.

Por sinal, que fase de feliz, triste, feliz, triste... Kvothe é a prova que inteligência não é sabedoria. Apesar de conhecer muitas coisas e assimilar processos lógicos facilmente (desde matemática à música) ele não tem malícia o tempo todo para identificar quando está sendo trapaceado e não reage de forma sempre perfeita em diversas situações com outras pessoas. O que faz todo sentido! Nesse ponto do livro ele é um adolescente, e gostei que o autor não fez dele um velho cheio de experiência só para deixá-lo invencível.

É costume em trilogias o primeiro livro ser usado mais para apresentar os personagens e suas características do que desenvolver mesmo algo da história. O Chandriano, por exemplo, não é tão explicado assim. Mas o que achei legal foi que ele não foi esquecido. As situações que se seguem nessa etapa da história têm como objetivo ou causa o Chandriano, que acredito ser o grande plot da crônica como um todo. Então a todo momento a gente tem uma pinceladinha de sua existência, pra não deixar que ele se perca completamente, mas também para que não seja entregue todo o mistério.

Vi uma minúscula minoria reclamando que não acontece nada glorioso nesse primeiro livro. Se for botar na balança realmente nada sobre o grande plot aconteceu, não vou negar isso. Acredito que isso será trabalhado no segundo e terceiro livro, como de praxe. Mas quero lembrá-los, pequenos padawans, que é um livro pseudo-auto-biográfico, e em biografias, sendo um resumo da vida, você busca a felicidade pelo caminho e não no fim do arco-íris. (anota essa que ficou boa)

-=-=-=-=-=-=-=-=-=- Fim do Spoiler aqui -=-=-=-=-=-=-=-=-=-

Quando fui marcar como lido no Goodreads.com o primeiro comentário me fez dar um sorriso:

"I kinda liked this book. But my opinion on the matter probably shouldn't be trusted..." (Eu meio que gostei desse livro. Mas minha opinião sobre o assunto provavelmente não deve ser confiável...)
 - Patrick Rothfuss (El Autor)


É um livro com capítulos curtos, o que deixa a leitura muito rápida. Mesmo assim tentei ler pausando, pois é um livro que (acredite ou não) me dava vontade de estudar. O cara é um gênio, mas não apenas por ser inteligente, mas também por esforço. Gosto de pensar nesse tipo de gente como incentivo para que a gente, como leitor, dê um jeito na vida. XD


Depois desse lindo texto eu só podia terminar com uma palavra: Recomendadíssimo.



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